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Querido diário,
como assim, faz quatro anos que não visito meu próprio blog?
Tempos de revisão. Revisão textual, de vida e de tudo o mais.


Não, não há aqui a intenção de transformar este post em um desabafo pessoal, mas a vida da gente é louca e toma rumos inesperados. Uma sequência inacreditável de desventuras dignas de uma trama tarantinesca aconteceu-me e dela fiquei refém por um tempo. Mas cativeiro nenhum dura para sempre.

Ultimamente, o trabalho de revisão textual tem constituído uma parcela significativa dos meus projetos. Com o advento do ensino a distância (assim mesmo, porque a expressão não tem crase), as instituições de ensino precisam cada vez mais do profissional de letras e afins na correção, preparação e produção de material didático. Estou aqui, ali e acolá.

Sendo assim, passo para dizer que sou tradutora, revisora e produtora de conteúdo EaD e estou alive and kicking!

PS: a imagem é de uma camiseta que comprei na Printerama. :) 





“Antes de qualquer coisa, o tradutor deve ter uma ótima – para não dizer impecável – redação na sua língua materna.”

Assim nos disse um professor, no primeiro ano de faculdade. Alguns torceram o nariz, pois estudar gramática da Língua Portuguesa é tido como uma das atividades intelectuais mais chatas que existem. Nós, alunos, loucos para ler e desmembrar textos intrincados em inglês e espanhol, primeiro tivemos que enfrentar as aulas de linguística, análise sintática, gramática gerativa e latim – sim, latim. Tal prática foi o que me fomentou a consciência do que é fazer uma boa tradução.

E como nossa língua dá trabalho, não? Essa última revisão gramatical e suas alterações nos hífens e acentos são exemplo do que não só o profissional de idiomas e redação, mas qualquer cidadão brasileiro, deve estar atento na hora de escrever.


Seria chover no molhado falar nisso, mas trabalhei com Redação Empresarial e Comercial e conheci muita gente que me forneceu material real de problemas de escrita nessa área, além dos casos em que foi necessário corrigir o texto do cliente, alertá-lo sobre os problemas e só depois verter para o inglês. Felizmente, sem maiores protestos.

Uma palavra que costumo pensar duas vezes antes de corrigir é RANDOMICAMENTE e componentes (randomizar, randômico). Há uma década seu uso era raro, mas hoje virou epidemia, do pessoal da computação a apresentadores de tevê. Vem de random e da expressão at random, que significa “ao acaso”, “sem critério de seleção”. O termo consta dos nossos dicionários, mas quando não usado em estatísticas e textos técnicos, pode muito bem ser substituído pelo equivalente de origem latina: ALEATORIAMENTE.

Alguns outros termos, entre estrangeirismos, empréstimos e erros de português que anotei em trabalhos ou observando o cotidiano, mesmo:

IMPLANTAR: prefira IMPLEMENTAR
DRAMATICAMENTE: prefira SIGNIFICATIVAMENTE
ÀS EXPENSAS: o correto é A EXPENSAS
ATACHADO: prefira EM ANEXO/ANEXADO
ÀS CUSTAS DE: o correto é À CUSTA DE
SUJEITO A GUINCHO: o correto é SUJEITO À GUINCHAMENTO
ENTREGA A DOMICÍLIO: o correto é ENTREGA EM DOMICÍLIO
MELHOR PREPARADO: o correto é MAIS BEM PREPARADO
DESCULPEM O TRANSTORNO: o correto é DESCULPEM-NOS PELO TRANSTORNO
MANAGEMENT: prefira GERÊNCIA, DIREÇÃO, ADMINISTRAÇÃO
ATRAVÉS DO PRESENTE (email, aviso, etc): prefira POR MEIO DE/PELO PRESENTE
JUNTO A: prefira NO
ATTN: é a abreviação em inglês de “To the attention of” ou “aos cuidados de”. Só use para esse caso e em inglês.
ACUSAMOS O RECEBIMENTO: prefira RECEBI

Preze pela clareza e desconfie de textos “floridos” demais. No caso de dúvida, consulte um profissional. Não é assim que se aconselha em outras áreas? Por que não na redação?